A Pedagogia Histórico-Crítica

A Pedagogia Histórico-Crítica possibilita à Escola da Fazenda adotar a questão ambiental como princípio educativo, em virtude da criticidade componente da sua proposição teórico/metodológica que localiza nas relações sociais e econômicas vigentes a origem da degradação das condições da vida. A escola, como espaço de Ciência, deve contribuir para a compreensão dos elementos estruturais da sociedade elucidando suas contradições na perspectiva de uma humanização pautada nos princípios igualitários e ambientais, visando assim, o desenvolvimento humano em todos os seus aspectos e possibilidades.

Assim como os demais animais dependem do convívio com suas espécies para tornarem-se membros da população a que pertencem, o ser humano necessita produzir a sua “natureza humana”. Esta condição depende de sua inserção familiar e imputa à educação escolar um papel primordial. Nós, seres humanos, aprendemos socialmente a produzir a nossa vida humana. Sem o suporte da sociedade, nos restringimos à nossa condição de ser biológico e não ascendemos à condição de ser social. O ser social se constitui historicamente à medida que amplia seu conhecimento sobre a vida e sobre as categorias que compõem as relações da produção social.  

A formação da sociedade é resultado da ação humana. No entanto, individualmente, nascemos numa sociedade já dada, e nela apreendemos os hábitos e posturas sociais que nos formam. A educação escolar deve contribuir com o conhecimento científico na qualificação do conhecimento espontâneo. Do ponto de vista individual, a sociedade determina o que somos. Em nossa interação com o mundo temos possibilidades de acessar o conhecimento transformando-nos em sujeitos da realidade social.  Somente enquanto coletividade é que podemos interferir da sociedade, modificando-a.

Qual o papel da escola neste processo?

Como pode se dar a intervenção escolar no processo de tomada de consciência individual da nossa condição social?

Os elementos teórico-metodológicos da Pedagogia Histórico-Crítica, fundados na filosofia dialética, têm sido fonte de estudos constantes, permitindo a tradução em ação de nossas concepções pedagógicas sobre o papel da escola e a intervenção do trabalho educativo na formação social. A base teórico-metodológica da Pedagogia Histórico-Crítica propicia que se compreenda os seres humanos em sua concreticidade, isto é, em suas múltiplas determinações históricas a partir de suas relações sociais e de sua relação transformadora da natureza.

“A natureza humana não é dada ao homem, mas é por ele produzida sobre a base da natureza biológica. Consequentemente, o trabalho educativo é o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos seres humanos.” (Dermeval Saviani).

O ser humano se constitui em uma trama social, na medida em que adquire o seu modo de ser, agindo no contexto das relações sociais nas quais está inserido: produz, consome e sobrevive. A criança em situação escolar se constitui socioculturalmente pelas ações objetivas que é levada a praticar nas relações decorrentes da atividade de estudo.

A atividade essencial ou predominante que a criança realiza com seus semelhantes – adultos ou companheiros de diversos níveis sociais – determina o sentido evolutivo das suas etapas de desenvolvimento.

De acordo com Vygotsky, esta atividade essencial ou predominante que a criança realiza está determinada pela estrutura e usos culturais de cada sociedade e pelo papel da criança nessa cultura, assim como, é claro, pela interação desses fatores com os padrões genéticos de crescimento.

O fato humano não está garantido por nossa herança genética, por nossa “certidão de nascimento”. A origem do humano – a passagem do antropoide ao humano, tanto como a passagem da criança ao adulto – produz-se graças à atividade conjunta e é perpetuada e garantida através do processo social da educação (Vygotsky).

 

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